Diário do Detox Digital: Relatório de Maio

Categorias: Digital
Tags: detox, redes sociais, vício digital
Primeira postagem: 1 fevereiro, 2024
Maio

YouTube

Apesar de não ter infringido as regras do projeto, nestas férias maratonei vídeos no YouTube sobre narcisismo. Foi quase uma hora por dia, mas o motivo é nobre. Publicarei no meu blog uma playlist com sugestões de vídeos sobre este tema. Portanto, precisava selecionar o conteúdo para o post.

Penso que profissionais que falam de saúde devam, sim, fazer esta concessão à economia da atenção e ter um canal no YouTube, pois ele é o segundo mecanismo de busca mais utilizado no mundo, depois do Google.

No meu caso, que escrevo principalmente sobre produtividade com qualidade de vida, tornar-me uma youtuber seria como convidar alcoólatras para o bar objetivando ajudá-los com o vício em álcool.

Então, confesso que dar tanto tempo, informações e dinheiro para o YouTube definitivamente não me agrada em nada. Contudo, valeu a pena. Afinal de contas, tem algo que me irrita mais ainda do que essa plataforma maligna… narcisismo!

TikTok

Janeiro livre do TikTok! Não assisti nada nesta rede social. Raramente acessava mesmo o TikTok, não fez falta nenhuma.

Podcasts

No semestre passado, já tinha parado de seguir a maioria dos podcasts que costumava ouvir. Mas neste janeiro não resisti escutar os dois últimos episódios da série sobre Thiago Brennand, do Uol. Então, infringi o detox em duas horas.

Já que um dos episódios fala da relação dos Brennands com as artes e com os museus, eu poderia alegar que era trabalho, mas estaria forçando a barra. Eu ouvi porque estava curiosa mesmo.

Não sei se é uma realidade brasileira, mas os podcasts investigativos por aqui são superproduções, com trilhas sonoras especiais, entrevistas e tudo mais. É como aquelas novelas de rádio antigas, como CSI em áudio. Isto dificulta a vida de quem está tentando fazer um detox digital, porque a gente não consegue parar de ouvir!

Netflix e Streaming

Não assisti nenhuma série. Assisti a dois filmes e um documentário. Poderia ter sido mais, já que estava de férias, mas acho melhor assim.

Notícias

Foram quase cinco horas lendo notícias e quase duas horas vendo vídeos. Sete horas no total. Eram notícias gerais, nada específico de trabalho ou escola das crianças, mas fiquei nas oito horas permitidas.

Porém, incomodou o fato de que acessei notícias vários dias e não somente um único dia da semana, como é o meu propósito. Então, não estou tão de parabéns neste item…

Música

Não contabilizei o consumo de música, mas escutei muita música neste janeiro.

Com certeza infringi algumas regras, como colocar fone de ouvido ao fazer as tarefas da casa. O objetivo de proibir fone durante as tarefas é não ficar isolada do entorno. É um momento que posso, portanto, conversar e interagir com meu esposo e com as crianças. Mas não contarei como infração devido à exceção de férias. Como fiquei com minha família o mês todo de janeiro, tivemos tempo de sobra para conversar e confraternizar.

Montei novas playlists no Apple Music e no app de música clássica da Apple, que substituiu o Primephonic. Estou tornando públicas algumas das minhas playlists no meu perfil do Apple Music. Se você tem Apple, conseguirá me seguir lá.

Facebook

Somente vinte minutinhos de Facebook o mês de janeiro inteiro, checando o grupo Museologia Brasil. Muito abaixo da meta. Ganhei uma estrelinha nesta!

Instagram

Foram cerca de uma hora consultando Instagram de hotéis e restaurantes, tudo nas regras do detox. Porém, gastei 50 minutos assistindo vídeos de professores de inglês que fazem brincadeiras com as letras das músicas nesta língua. Eu poderia alegar que estava estudando inglês. Sejamos honestos aqui… eu estava apenas dando umas boas risadas!

Twitter

Janeiro livre de Twitter. Não senti falta alguma dessa rede social tóxica e viciante!

Conclusão

E esse foi o meu primeiro diário de detox digital. Até agora achei fácil cumprir a maioria dos meus combinados, mas eram férias de verão. Foram muitas atividades e distrações. Veremos como ficam as coisas agora em fevereiro, com a volta ao trabalho!

YouTube

Infelizmente, a maratona de vídeos sobre narcisismo ainda tomou curso quase o mês de fevereiro todo. Mas a boa notícia é que finalizei a seleção de vídeos para a minha playlist.

Está nas regras, porque é para o post do blog. Mas me sinto saturada de YouTube e realmente isso não combina com um Detox Digital.

Tentarei zerar o consumo de YouTube em março. Será que consigo?

TikTok

Fevereiro livre do TikTok! Ganhei minha estrela de novo. Não assisti nada nesta rede social pelo segundo mês seguido. Raramente acessava mesmo o TikTok, não fez falta nenhuma.

Podcast

Em fevereiro, ouvi duas horas e meia de episódios de podcasts. Ouvir podcasts não me fez feliz, pelo contrário. Então, fiquei frustrada comigo mesma por cedido à tentação.

O universo dos podcasts tem algumas ilusões perigosas.

Primeira ilusão: É um bom investimento do nosso tempo ouvir podcasts. Nem sempre. Talvez seja muito mais negócio gastar este tempo lendo um livro do que ouvindo alguém falar de improviso. Sempre digo para os profissionais externos que querem se matricular nas minhas disciplinas na universidade: “Se o seu tempo é curto, entre ler o meu livro ou fazer a minha disciplina, melhor ler o meu livro”.

Segundo: Ouvir podcasts fazendo outras atividades, como exercício físico ou tarefas de casa, é um ótimo aproveitamento do tempo. Brasileiros consomem muito podcast e, em geral, ouvem os episódios nos deslocamentos. É preciso ter consciência de que estas são oportunidades para se ter um tempo com os próprios pensamentos, algo importantíssimo para a nossa saúde mental. O celular nos roubou tempo de solitude.

Terceiro (talvez a ilusão mais perigosa): Conhecemos na intimidade os apresentadores destes podcasts. Principalmente quando o podcast é em forma de conversa, na qual os participantes falam espontaneamente sobre suas vidas, ideias e sentimentos.

É uma ilusão, porque o que estamos ouvindo é a persona pública daqueles apresentadores, mas o formato contribui para a sensação de que estamos sentados com eles numa mesa de restaurante. E assim como fazemos com amigos e pessoas próximas, podemos ignorar bandeiras vermelhas de que a conversa pode estar divertida, mas não está nos fazendo bem.

Isso significa que não vou mais ouvir podcasts na vida? Ou indo além, que nunca terei meu próprio podcast?

Não, mas significa que estou repensando podcasts. Tudo isso acima precisa ser considerado de forma mais racional e menos emocional. Daí meu aborrecimento por ainda não ter zerado o consumo de podcasts este mês.

O segredo para seguir as regras em um Detox Digital é simples, na verdade: não olhar. Então, para não cometer o meu erro, deixe de seguir os podcasts que você seguia e delete o histórico de visualizações. Assim o algoritmo não ficará te tentando com novos episódios e seus títulos clickbait.

Se nos distrairmos com coisas mais produtivas e ócio criativo na vida presencial, a ansiedade para consumir conteúdos digitais vai se dissipando ao longo do tempo. Longe dos olhos, longe da mente.

Em março vocês têm a minha palavra de que ficarei esperta e não cairei mais nesta armadilha de novo. Ganharei a minha estrela neste item.

Netflix e Streaming

Assisti a 3 filmes este mês, sendo um no cinema. Tudo nas regras, porque foram filmes infantis com nossos filhos. Assistimos recentemente o desenho animado Rio, tanto o 1, quanto o 2. Está para lançar o filme 3.

É impressionante como a imagem do Brasil é apresentada estereotipadamente no exterior. Não só nos desenhos animados, mas na imprensa internacional também.

O mais grave é que uma pesquisa recente mostrou que tomadores de decisões, como diplomatas e jornalistas especializados em relações internacionais, também cultivam essa mesma visão clichê do Brasil.

Para muitos estrangeiros, a maioria provavelmente, o Brasil é sinônimo de Amazônia, carnaval, futebol, povos originários, animais selvagens, praia, gente feliz festejando e Rio. Tudo isso é parte do Brasil, mas tem muito mais. Por isto é importante falar sobre o Brasil neste blog e também nos nossos projetos acadêmicos na universidade, com foco no público estrangeiro.

Notícias

Definitivamente não ganhei nenhuma estrela aqui. Mas em minha defesa, aconteceram coisas muito bombásticas este mês. Não comentarei tudo, apenas três assuntos principais.

Foi divulgado na nossa imprensa um vídeo de uma reunião na qual o nosso ex-presidente de extrema-direita discutiu abertamente sobre atos não democráticos com seus ministros e com generais do exército. Como que faz Detox Digital no meio de um Water(melon)gate Tropical?

Referindo-se aos escândalos políticos do Brasil, certa vez a conta oficial do House of Cards publicou um tweet dizendo: “Está difícil competir.” Alguém respondeu que a Netflix tinha que fazer um spin-off brasileiro do show. E o Twitter oficial do Netflix Brasil respondeu: “Eu até tentaria, mas se eu reunisse 20 roteiristas premiados não conseguiria chegar numa história a essa altura…

Quem precisa de House of Cards quando você tem o noticiário brasileiro?

Também gastei muito tempo lendo a repercussão do Carnaval da minha cidade na imprensa nacional e internacional. BH virou um dos principais locais para festas de rua do Brasil. Foram cadastrados mais de 500 blocos de Carnaval e esperados cerca de 5,5 milhões de foliões este ano.

Apesar deste número estar superestimado, BH estava realmente lotada de turistas brasileiros e estrangeiros desde o final de janeiro. Uma verdadeira Torre de Babel de sotaques e línguas nas ruas (essa parte adoro, aliás!). E as festas por aqui repercutiram na imprensa e nas redes sociais.

Respeito quem gosta, mas pessoalmente não curto Carnaval. Minha curiosidade era para ver como o Brasil seria retratado nestas reportagens. Na minha opinião, elas também descreviam uma BH clichê.

Por fim, também gastei algum tempo lendo as notícias sobre a guerra, as falas do presidente brasileiro sobre Israel e Gaza. E as distorções destas falas, para fins políticos. Não focarei meu comentário aqui nas falas em si, porque minha opinião é complexa. Comentarei o que penso sobre ética da guerra.

É inconcebível que em pleno século XXI nós ainda tenhamos guerras. Mais chocante ainda é o fato destas guerras não respeitarem os princípios mínimos de direitos humanos, salvando os civis. Especialmente se estes civis são crianças, mulheres, pessoas com deficiência, idosos, doentes, feridos ou famintos.

Não importa de que lado essas pessoas pertençam: soldados honrados dão sua vida para salvar e proteger os indefesos. Ponto final.

Homens que usam o seu poder ou a sua força física para dominar, violar, torturar, sequestrar, exterminar ou ferir crianças, mulheres e demais inocentes são covardes, doentes, desumanos, sem valor, sem caráter, malignos, canalhas. Estou sendo eufêmica aqui.

Quero gritar e xingar. Quero chorar. Na verdade, eu chorei copiosamente devido às notícias da guerra este mês. Principalmente aquelas envolvendo a fome extrema, os órfãos e crianças sendo amputadas sem anestesia.

Isso tudo é uma insanidade. São crimes de guerra hediondos que vão entrar para os livros do futuro como capítulos deploráveis da história da humanidade.

Tenho evitado ler notícias das guerras, porque realmente tudo isso me revolta muito. Neste sentido, este Detox Digital pode ajudar bastante, porque planejo consumir somente o mínimo destes assuntos para me manter atualizada.

Mas este mês, infelizmente, não resisti e o Detox ficou prejudicado.

Música

Ouvi muita música neste mês de fevereiro, dentro das regras do detox. Para os próximos meses, quero incluir menos música digital e mais música “analógica” e presencial na minha rotina.

Facebook

Gastei menos de 15 minutos no Facebook em fevereiro, checando o grupo Museologia Brasil. Foi ainda melhor do que janeiro. Ganhei uma estrela aqui!

Instagram

Fiquei menos de meia hora no Instagram em fevereiro, tudo nas regras do detox (restaurantes, lojas, hotéis, etc.). Outra estrela!

Twitter

Fiquei quarenta minutos no Twitter este mês, muito mais do que gostaria, mas a tentação foi grande.

Está havendo uma importante discussão internacional criticando a cultura do Publish or Perish nas universidades (preocupar-se com a quantidade das publicações, não necessariamente com a qualidade). E apresentando novas propostas de avaliação da produção acadêmica. Alguns colegas compartilharam tweets de professores notórios em um fórum sobre Produtivismo que participo.

Se tivesse me concentrado só naqueles tweets, eu teria ficado somente uns 5 minutos no Twitter. Mas a curiosa aqui clicou na hashtag #PublishOrPerish

Para quê? Fui capturada por um espiral de memes e tweets hilários, como esse vídeo desse médico humorista tirando sarro da mega indústria bilionária das publicações científicas.

A propósito, o que ele sugere de zoação no vídeo já acontece no Brasil há décadas. Aqui os periódicos científicos brasileiros mais bem conceituados são totalmente gratuitos. Ninguém paga nada para ler e nem para publicar, porque estas revistas são mantidas pelas principais universidades brasileiras, que também são públicas e gratuitas.

Afinal de contas (para finalizar este diário de detox com mais um estereótipo equivocado sobre o Brasil): somos um país “comunista”!

Viralizou recentemente um vídeo de uma ex-professora doando 1 bilhão de dólares para uma universidade americana no Bronx, NY. No vídeo, ela comunica ao auditório lotado de estudantes que a partir de agora eles não teriam mais que pagar mensalidades. E os estudantes comemoram loucamente, surtando de felicidade.

O comentário por aqui no Brasil era: “Centenas de estudantes americanos sentindo o que milhões de brasileiros sentem ao entrarem para as nossas melhores universidades.”

Brincadeiras à parte, eu chorei vendo o vídeo. Muito lindo e emocionante. Quero apertar, abraçar e beijar essa velhinha “comunista”!

Conclusão

E esse foi o meu segundo diário de detox digital. Acho que está indo bem, apesar de ter sido bem mais difícil do que janeiro. E de ter infringido mais as regras. Vamos ver se em março eu volto para os trilhos!

Fevereiro

YouTube

“Tentarei zerar o consumo de YouTube em março. Será que consigo?”

Terminei assim o meu último diário do detox digital sobre o YouTube. Infelizmente, a resposta é não.

Conclui que o YouTube está em absolutamente tudo em minha vida. Palestras sobre museus, vídeos do meu curso de Libras (Língua Brasileira de Sinais), tutoriais de softwares e processos para cumprir protocolos na universidade etc. Tudo.

Percebendo que não seria possível cortar totalmente o YouTube, segui as regras do Detox Digital e fui além. Eu me perguntei: o que eu consigo eliminar?

Então, zerei algo que provavelmente ocupava a maior parte do meu consumo de YouTube, fora os vídeos sobre narcisismo para minha playlist: notícias.

Sempre que checava os jornais, também corria o olho nos canais da BBC, DW, The Guardian, The NYT, Nexo, Uol etc. Além disto, no topo das reportagens desses jornais, não raro existe um vídeo correlacionado àquela notícia ou tópico.

A meta de março, portanto, além das regras do Detox, era não assistir nenhum vídeo dos jornais no YouTube, mas priorizar a leitura dos artigos. Eu atingi meu objetivo. E o grande ganho foi em termos de saúde mental.

Por exemplo, uma coisa é ler sobre as guerras. Outra é assistir vídeos sobre estas guerras. Neste sentido, acho que o Detox de vídeo de notícias me fez muito bem.

Mas foi difícil? Demais da conta. Não vou mentir… Descobri que estou viciada em notícias no YouTube. Constatei isso devido à ansiedade que senti em não poder clicar em nenhum daqueles vídeos.

A meta continua em abril. Vício a gente cura superando a fase de abstinência. Depois, com a cabeça menos “drogada”, vejo se consigo estabelecer uma relação mais saudável com as notícias nessa plataforma maligna.

TikTok

Março livre do TikTok! Não assisti nada nesta rede social pelo terceiro mês seguido. Raramente acessava mesmo o TikTok, não fez falta nenhuma.

Podcast

Março livre de podcasts, não assisti nenhum episódio. Ganhei minha estrelinha neste item!

Netflix e Streaming

Março sem assistir a séries ou filmes. Assisti a um documentário apenas. Então, consumi bem menos do que o permitido pelo Detox.

Notícias

Li 5 horas e 40 minutos de notícias este mês. Menos duas horas do que a meta que estabeleci no Detox.

Foi difícil, porque o Water(melon)gate Tropical estreou várias temporadas picantes, com o depoimento de generais na polícia federal, que implicam o nosso ex-presidente de ultradireita nas tramas para tentativa de golpe de estado no ano passado.

Além disto, como noticiou o The New York Times, sob o risco de prisão, ao entregar o passaporte para a polícia federal, o covarde se abrigou por dois dias na embaixada da Hungria, numa aparente tentativa de pedir asilo político.

E a trama se complica a cada dia que passa. Os jornais fervilhavam de notícias detalhando esta reviravolta. Inacreditável, minha gente!!! E eu aqui sem poder ler ou assistir tudo sobre isto. Oh, céus, que curiosidade!

Por fim, como planejava fazer o Detox Digital este ano, não renovei a assinatura de dois dos jornais que normalmente leio, sendo um o próprio The New York Times.

Entretanto, eles mandaram tão bem esse mês que renovei minha assinatura para dar suporte ao jornalismo de altíssima qualidade.

Música

Este mês também foi marcado por mais consumo de música “analógica”. Fui com meu esposo nas excelentes aberturas de duas temporadas: a da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e a da Orquestra 415.

Estavam ambos os concertos com a plateia bem cheia, o que me deixou bastante feliz.

Para fins deste diário de Detox, vale a pena registrar algumas observações sobre o uso do celular nestes dois eventos.

A Filarmônica da minha cidade, Belo Horizonte, é uma orquestra brasileira padrão internacional, com musicistas do mundo inteiro. E que executa suas apresentações em um lindíssimo auditório com acústica profissional, a sala Minas Gerais (o nome do nosso Estado).

A abertura da temporada de 2024 teve como repertório os Pilares da Ópera Alemã, executando algumas peças instrumentais de compositores como Mozart, Gluck, Weber, Beethoven, Wagner e Strauss.

O programa impresso dizia que quando soasse a primeira nota, os eletrônicos deveriam ser esquecidos. Mas fotografias e vídeos eram permitidos antes e depois. Pedia, ainda, que as redes sociais fossem gentilmente marcadas nas postagens para divulgação.

Esta blogueira aqui, então, registrou a imagem abaixo no intervalo, quando o maestro conversava informalmente com a audiência. E as pessoas retornavam para seus lugares, antes da segunda parte do concerto.

Orquestra filarmônica de Belo Horizonte no auditório da Sala Minas Gerais.

O que me chamou mais a atenção é que eu não vi praticamente ninguém segurando um celular para nada. Notei um rapaz checando suas mensagens antes do concerto começar e só. Impressionante isso! Muito bom, aliás. Um público educado e que também sabe apreciar o momento presente.

A segunda abertura de temporada foi a da Orquestra 415. Eles possuem ainda um coral parceiro. Seu diferencial é que os instrumentos barrocos são de época, feitos à mão com materiais e técnicas antigas. E a orquestra é pequena, como eram as orquestras naqueles tempos.

Instrumentos como espineta (família dos cravos), flauta doce, guitarra barroca e teorba (alaúde de braço longo) foram mantidos, sem substituição por versões mais modernas, como é bem comum na música erudita. E o grupo faz suas apresentações em auditórios menores, para que os ouvintes possam detectar a presença destes sons mais delicados.

Tudo isto torna a música desta orquestra mais próxima da experiência executada pelos compositores do período antigo.

O concerto de abertura teve como repertório o Glória de Vivaldi. Fiquei emocionada. Il prete rosso, na sexy e charmosa Veneza, provavelmente nunca vislumbrou sua música sendo executada no auditório de uma biblioteca pública brasileira, do outro lado do mundo, tanto tempo depois.

Quanto ao uso do celular, a abordagem da Orquestra 415 foi mais explícita. No começo da apresentação, o maestro gentilmente solicitou que mantivéssemos os celulares desligados. Mas informou que ao final do concerto eles iriam repetir uma das composições. E que, neste momento, gravações e fotografias eram muito bem-vindas. Pediu, em seguida, que todos marcassem a orquestra em suas postagens, caso tivessem redes sociais.

Antes e depois do espetáculo, e principalmente quando chegou o momento do bis, o auditório em peso fotografou ou filmou. E eu também. Não tenho redes sociais, mas fica aqui o meu registro.

Neste caso, achei positivo que todos estivessem com celulares em mãos. Entendi o movimento como um apoio de divulgação da música clássica.

Facebook

Gastei 35 minutos no Facebook em março, checando o grupo Museologia Brasil. Menos do que a meta do Detox.

Entrei este mês, ainda, em um grupo privado de desenvolvedores Web. Dei uma olhadinha rápida, mas com certeza devo explorar mais o grupo em abril. Muita coisa interessante sobre Inteligência Artificial. Os rapazes lá fizeram eu me sentir desatualizada.

Tentarei, mesmo assim, manter os 20 minutos semanais máximos como meta. Vamos ver se vai dar.

Instagram

Fiquei menos de meia hora no Instagram em março também, tudo nas regras do detox (restaurantes, lojas, hotéis, etc.). Outra estrela!

Twitter

Gastei 20 minutos no Twitter em março, lendo a repercussão do exposé de um professor e influenciador internacional, com milhões de seguidores nas redes sociais.

Não seguia esse influenciador antes. Então, assisti alguns minutos de seus vídeos. Achei o que vi neste pouco tempo muito preocupante. As bandeiras vermelhas estavam visíveis lá.

Segundo reportagem do New York Magazine, ele foi flagrado vivendo de aparências em sua carreira acadêmica e tendo comportamentos sexistas, manipuladores e abusivos em sua vida privada.

O que a vida pessoal e profissional de um influenciador tem a ver com sua persona pública? Tudo neste caso. Aparentemente, ele fez fama e fortuna com conteúdo principalmente sobre produtividade, estilo de vida e saúde mental.

Todos nós que escrevemos sobre estes assuntos estamos sendo observados pelas pessoas do nosso mundo presencial. Especialmente aquelas que convivem conosco na intimidade. E é impressionante como ele achou que conseguiria manter tanta coisa absurda em sigilo.

Mas o mais grave no caso deste influenciador é o que acontece nos seus canais públicos, porque ele tem um alcance de milhões: o seu podcast defende pseudociência e ganha fortunas com anúncios de produtos questionáveis.

Ele menciona com frequência o nome da instituição acadêmica renomada a qual pertence. Isso obviamente funciona como uma espécie de chancela indireta para o que ele diz.

O que concluo nestes 20 minutos de Twitter é que, para grande parte dos seguidores deste homem, nada do que ele possa ter feito de errado importa, pelo contrário. Atacaram violentamente a repórter com comentários misóginos e ad hominem.

Alguns inclusive elogiaram a “produtividade” do influenciador em conseguir administrar várias namoradas ao mesmo tempo, que não sabiam da existência uma das outras.

Esse tipo de bullying absurdo com a repórter no Twitter mostra muito bem o perfil da base de fãs deste sujeito: uma massa de pessoas acríticas sem bússola moral.

E é por esse tipo de coisa que não estou mais nas redes sociais. É um ambiente extremamente tóxico, cheio de narcisistas e psicopatas.

E é por esse tipo de influenciador sem coerência, que vive uma vida dupla, que também estou fazendo este Detox Digital.

Lendo o artigo do exposé e os comentários no Twitter, tive a sensação de que eu vivo não só em um outro país, mas em um outro mundo. Um mundo com outras regras, valores, comportamentos, expectativas e ambições. Povoado por outro tipo de seres humanos, muito mais nobres e empáticos. Enfim, quase um outro planeta!

Apesar de ter infringido as regras do Detox, não me arrependo. Foi bom para constatar como minhas escolhas de vida estão indo pelo caminho certo.

Conclusão

Março foi melhor do que fevereiro. Cumpri todas as metas do Detox Digital, com exceção do Twitter. Fiquei feliz.

Foi um mês bem mais difícil também, mas está indo bem. Vamos em frente!

Tem muitas outras coisas que gostaria de compartilhar neste diário, mas preciso parar por aqui, pois o pouco tempo que tenho para dedicar ao blog está tomado com o redesign da plataforma e com a preparação da série sobre Narcisismo.

Estou adorando tudo isso, o retorno dos posts no blog. Saudades que estava de clicar no botão de “publicar” nesta plataforma.

Março

YouTube

Eu assisti uma hora e meia de YouTube em abril que não estavam nas regras do Detox.

A maioria era vídeos de comédia, como o stand up de um europeu que vive no Brasil. Ele brinca com o choque cultural de maneira muito inteligente e divertida.

Quebrei as regras do Detox, eu sei. Mas eu ri demais!

TikTok

Quarto mês sem perder tempo navegando no TikTok!

Podcast

Em abril gastei quase 5 horas assistindo a trechos de podcasts variados.

O objetivo não foi me entreter simplesmente. Eu ouvi estes trechos para fazer algumas reflexões sobre podcasts, relacionadas ao próprio Detox e ao consumo/produção de conteúdo digital.

Contudo, computarei essas horas como quebra das regras do Detox, porque eu poderia ter adiado isso para o ano que vem. Não o fiz, confesso, porque estava curiosa, principalmente por conta dos últimos acontecimentos do podcaster acadêmico que comentei no diário de março. Ele foi flagrado vivendo uma vida secreta antiética, tanto pessoal, quanto profissional.

Acredito que são os relacionamentos cheios de amor que nos trazem a verdadeira felicidade e que fazem nosso corpo ter mais saúde e nossa existência, mais sentido. Não “protocolos disto ou daquilo”. A produtividade deveria ser tão somente um caminho de sabedoria para alcançarmos a vida boa.

Portanto, esse exposé do podcaster deveria nos despertar mais compaixão do que raiva. Porque em nome de fortuna, fama, status, seguidores, um corpo sarado e sexo com múltiplas mulheres, ele sacrificou não só sua credibilidade acadêmica, mas principalmente aquilo que mais importa na vida: os relacionamentos, as pessoas que o amavam. Seja este amor eros, philia, storge or agape.

Provavelmente o tal podcaster e muitos dos seus seguidores não se importam com nada disto. Mas até este descaso é digno da nossa empatia. A miséria moral e espiritual é uma pobreza muito mais difícil de vencer do que a falta de dinheiro.

A melhor análise deste caso, na minha opinião, foi a da Dr. Ramani Durvasula. Eu não tenho palavras para descrever o quanto amei esse vídeo. (Está em inglês, portanto, ative as legendas e, no menu da legenda mesmo, selecione a tradução automática para sua língua preferida).

Ramani constata como ser smart (inteligente, esperto) não é uma virtude. Ela se questiona quando foi que passamos a considerar ser smart no mesmo nível hierárquico de ser generoso, respeitoso, caloroso, paciente, pacífico etc. Empatia é um exemplo de real virtude, não simplesmente ser inteligente ou culto.

É mais fácil ser smart do que ter ética. E em termos de produtividade, soft skills (habilidades relacionais, inteligência emocional) vão se tornar cada dia mais essenciais, principalmente com a revolução da Inteligência Artificial. Quanto mais os computadores assumem tarefas que antes eram feitas por humanos, mais valorizada se tornará no mercado de trabalho a nossa capacidade de sermos… humanos!

Ramani faz ainda uma série de reflexões importantíssimas sobre o exposé do podcaster, que serve para nossos relacionamentos na universidade também, caso você seja um acadêmico como eu. Assista ao vídeo, vale a pena cada segundo!

Enfim, depois de tudo que assisti este mês sobre podcasts, eu poderia resumir meus sentimentos em dois: confusão e dissonância cognitiva. Este é o preço por capitular ao vício e desobedecer a meus propósitos do Detox.

Pelo menos refleti bastante. Esperarei o fim do Detox para amadurecer a minha opinião de como fazer um consumo saudável de podcasts.

A meta para os próximos meses é zerar o consumo de podcasts, como fiz em março.

Netflix e Streaming

Assisti com nossos filhos o filme Kung Fu Panda 1, pois planejamos assistir ao filme 4 no cinema. É uma das minhas animações preferidas, aliás. Mas 16 anos do lançamento, achei o filme um pouco “gordofóbico”!

Pandas são gordinhos por natureza, um panda gordinho é um panda saudável. Eles poderiam ter focado no aspecto da falta de preparo físico do panda, e não na sua aparência e na compulsão pela comida em si. O panda sofre bullying o filme inteirinho por ser gordo, até mesmo ao se tornar o dragão guerreiro!

É interessante como o mundo está mudando rápido e certas coisas que antes passavam batido, hoje são consideradas politicamente incorretas. Acho que é o caso aqui. Mas eu ainda adoro esta animação. Tem algumas lições interessantes para crianças de todas as idades, incluindo as com mais de 40.

Pude conhecer os bastidores do processo de criação deste filme na exposição DreamWorks do CCBB Belo Horizonte e no Rio.

Foi uma exposição incrível, apresentando as estátuas de argila dos personagens, rascunhos dos desenhos e a tecnologia digital por trás do filme. Segundo o ranking da The Art Newspaper, foi a segunda exposição de arte mais visitada do mundo em 2019.

Ainda segundo o ranking The Art Newspaper, ano passado o CCBB Belo Horizonte foi o museu de arte mais visitado da América Latina, ficando em 41º no ranking mundial. O CCBB Rio de Janeiro ficou em 46º. Bravo para os dois!

Exposição da DreamWorks com uma cabeça de girafa saindo de uma caixa, quadros com desenhos e estátuas de argila.
Exposição DreamWorks no CCBB BH, Brasil.

Notícias

Consumi quase seis horas de notícias em abril, duas horas a menos do que o permitido pelas regras do Detox. Fiquei feliz com minha resistência, foram muitas tentações.

Novamente, não vi nenhum vídeo de jornais no YouTube. Meu coração está partido pelo sofrimento dos israelitas e palestinos inocentes nesta guerra criminosa e insana. Então, ficar sem ver conteúdos e vídeos disso tudo foi, novamente, uma parte positiva do Detox.

Mas fiz este mês algo que não fazia há muitos meses: assisti meia hora de noticiário na televisão. Tão vintage!

Eu queria ver como o maior canal de notícias do Brasil estava divulgando o caso Elon Musk x Alexandre de Moraes. Explico melhor a situação adiante neste post, no item Twitter.

Música

Ouvi muita música neste mês de abril, nas regras do Detox.

Facebook

Gastei 50 minutos este mês no Facebook, interagindo nos grupos de museologia, desenvolvimento Web e SEO. Consegui ficar dentro das regras do Detox.

Instagram

Fiquei menos de meia hora de novo no Instagram em abril, tudo nas regras do Detox (restaurantes, lojas, hotéis, etc.). Outra estrela!

Twitter

Não acessar o Twitter este mês foi com certeza a coisa mais difícil deste Detox até agora. Exigiu muito domínio próprio e explico por quê.

Esse homem também merece ser criticado nominalmente, então vamos lá…

Elon Musk usou sua conta no Twitter para dizer que no Brasil nós não temos liberdade de expressão e para espalhar fake news.

Então, o primeiro ponto é esclarecer para meus leitores estrangeiros de que isto não é verdade. O que nós temos é uma legislação bastante civilizada no que se refere a discursos de ódio.

A agressão verbal pode gerar consequências tão sérias quanto a agressão física em outro ser humano. E se você incita os demais a cometerem um crime, você também é criminoso.

O direito à liberdade de expressão não é um direito absoluto, ele está subordinado a outros direitos, como direitos humanos e democracia. A liberdade de expressão não é irrestrita. Neste sentido, acho a legislação brasileira avançada, e não uma censura.

Sobre esta questão das redes sociais, o ministro Alexandre de Moraes disse recentemente em um evento em Londres:

“As big techs dizem exatamente isso: que elas são grandes depósitos. Não há nenhum problema. Se você tem um depósito na vida real, você aluga o depósito e a pessoa que alugou faz de lá um laboratório de cocaína, você não tem responsabilidade por isso, você não sabia. Agora, se você descobre e faz um aditamento no contrato para ganhar 10% da venda da cocaína, no mundo real você tem que ser responsabilizado. Disso, ninguém discorda. No mundo virtual, se você simplesmente é um depositário de artigos, vídeos, você não pode ser responsabilizado. Agora, se você monetiza isso, se você coloca os seus algoritmos para direcionar com prioridade essas notícias, aí você está igual à pessoa que está ganhando 10% da cocaína.”

Concordo plenamente com este raciocínio e digo mais: se os “trabalhadores/produto” dessas “fábricas virtuais” que movem a economia da atenção está em outros países, como o Brasil, as big techs deveriam pagar imposto nestes países também. E respeitar a legislação local.

Afinal de contas, o que estas empresas e seus imperadores gananciosos estão fazendo é imperialismo via platform power (poder da plataforma).

Nós já temos há dez anos uma lei brasileira muito avançada sobre a Web: o Marco Civil da Internet. Mas agora precisamos avançar ainda mais e regulamentar as redes sociais urgentemente! Isso não é censura, isso é lutar contra a barbárie virtual.

Feito estes esclarecimentos iniciais, vamos à polêmica do mês por aqui.

Elon Musk, no seu Twitter, atacou o nosso ministro do Supremo Tribunal Federal Brasileiro, Alexandre de Moraes, que é o relator dos processos envolvendo a tentativa de golpe de 08 de janeiro de 2023, em Brasília.

Nestes processos sob seu comando, algumas contas no Twitter foram bloqueadas a pedido da justiça brasileira. E Musk ameaçou descumprir o bloqueio.

Em seu Twitter, Musk acusou o Brasil de censura, comparou o ministro Alexandre de Morais ao Darth Vader (um argumento muito consistente e maduro, por sinal! #ironia), bem como ameaçou tirar o Twitter do Brasil (Por favor, prove para nós que você é realmente ousado e faça isto!!!!).

Além disto, tuitou fake news de que Moraes teria ligações com o atual governo, que é de esquerda, sendo que ele sempre foi alinhado aos nossos políticos de direita! Isso é público e notório no Brasil. Não acho que Musk estava desinformado, acho que fez de propósito.

Em resposta ao ataque, Moraes incluiu Elon Musk como investigado no inquérito sobre as milícias digitais antidemocráticas no Brasil. A Procuradoria Geral da República convocou os funcionários do Twitter Brasileiro a prestarem depoimento na Polícia Federal. A Defensoria Pública da União ingressou com um pedido para que o Twitter seja condenado a pagar uma indenização no valor de 1 bilhão de reais por dano moral coletivo e danos sociais causados ao Brasil.

Sobre as falas de Elon Musk, jornalistas brasileiros (inclusive de direita, cabe ressaltar) escreveram coisas do tipo: “Elon Musk intima Brasil a provar que não é república de bananas”.

Com exceção da extrema direita radical e dos ignorantes que admiram Elon Musk como “empreendedor”, ninguém inteligente aqui, de esquerda ou de direita, ficou do lado dele.

As contas dos jornalistas e influenciadores brasileiros devem ter fervilhado com essa história no Twitter. Eu queria muito ter entrado lá para dar uma espiada, mas resisti bravamente.

Essa é a vantagem de manter um diário público do seu Detox. Você tem a pressão social de ficar firme nos seus propósitos.

Para finalizar, eu não sei se Elon Musk é insano, um moleque ou um monstro. Provavelmente, os três ao mesmo tempo.

Os memes sobre o caso diziam que Moraes tinha confiscado o passaporte dele, a chave do foguete SpaceX e proibido Musk de deixar o planeta. Eu discordo dessas medidas: eu adoraria que ele fosse morar em Marte!

Conclusão

Foi um mês muito difícil para o meu Detox Digital. Parece que está ficando cada mês mais difícil, aliás. Espero voltar para os trilhos em maio. Ninguém disse que seria fácil.

Para os que resolveram me acompanhar neste Detox, vamos em frente. Desistir jamais!

Abril

YouTube

Quebrei as regras em quase quatro horas este mês. A maioria dos vídeos era sobre Jordan Peterson. Ele veio dar palestras no Brasil. Ingressos caríssimos e esgotados, com fila de espera.

Como é uma figura famosa no mundo da produtividade, adorado pela extrema-direita por aqui, queria assistir algum documentário ou algum vídeo panorâmico que me desse uma introdução geral sobre este autor.

Mas acabei encontrando mesmo foram vídeos satíricos sobre ele e clips de palestras com falas absurdas do homem. Um exemplo? Peterson disse que temos que “admirar Hitler”, porque ele era um “gênio organizacional”. Sim, isso mesmo que você leu.

Peterson também usa exemplos do mundo animal, como “alfas lagostas”, para explicar o desejo masculino por dominância. E nega a existência do patriarcado.

E lá se foram horas da minha vida. É isso que o YouTube faz conosco: ele nos seduz pelo choque. Fiquei realmente chocada com o que vi no YouTube e pensei comigo mesmo: “Esse homem escreve o que fala?

Então, fui ouvir a amostra do audiolivro dele. Já na amostra, Peterson diz algo provocativo: que a “ordem” evoca o conceito de “masculino” e o “caos” evoca o de “feminino”.

Português é uma língua que tem gênero gramatical. E no português todas as palavras a seguir são femininas: ordem, organização, produtividade, gestão, autonomia, independência, liberdade, segurança, meta, responsabilidade, razão, consciência, conscienciosidade.

O fato de uma palavra ser feminina na nossa língua materna evoca associações inconscientes. Além disto, este é um blog de produtividade! Quando ouço a palavra “ordem”, imediatamente associo ao meu universo pessoal.

A provocação deu certo, porque fiquei curiosa para ouvir o livro. Entretanto, eu me propus este ano de Detox evitar livros de autoajuda e produtividade. Com exceção de livros sobre gestão de museus, que fazem parte do meu trabalho, não li nenhum livro sobre produtividade este ano.

Meus livros têm sido basicamente diários de viajantes que exploraram o Brasil nos séculos passados, história da arte e da música clássica, literatura de contos e crônicas. Eu iria quebrar minha rotina de leituras leves do Detox com Peterson?

A curiosidade matou o gato. Acabei ouvindo alguns capítulos do tal audiolivro, fui direto nos mais polêmicos. E a situação é gravíssima mesmo. Ele realmente escreve aquelas insanidades, inclusive o negócio lá da lagosta.

A síntese da minha opinião sobre tudo isto é: com raras exceções de problemas graves de saúde mental, nós seres humanos não somos reféns incondicionais da nossa natureza. Cultura exerce uma enorme influência em nossas decisões.

Somos influenciados também pela nossa genética, claro. E homens e mulheres possuem biologias diferentes, obviamente. Mas nós não somos escravos dos nossos instintos. Nossa natureza não é um destino fatal.

O que Peterson defende, na minha opinião, é uma masculinidade extremamente tóxica, maquiada com um falso verniz de ciência e intelectualidade. Esse tipo de masculinidade já era. Esse barco já se foi, já viramos essa página faz tempo, felizmente. Não caiam nessa besteirada!

Esse homem está ficando rico e famoso em cima de polêmicas no YouTube e em cima da insegurança de vocês, homens. O mundo está mudando muito rapidamente. Está difícil para todos acompanharmos, homens e mulheres. Mas esse tal de Peterson está capitalizando em cima dessa dificuldade da maneira mais sórdida possível.

Se até um acadêmico como Peterson, que (supostamente) tem como base do seu trabalho a metodologia científica, é capaz de dizer e escrever coisas deste tipo, o que nos aguarda no futuro em termos de desinformação? E qual o impacto que isso terá sobre todos nós, sobre a humanidade?

TikTok

Quinto mês sem perder tempo navegando no TikTok.

Podcast

Alguns dos vídeos que assisti no YouTube eram de canais que se autointitulam “poscasts”. Não computarei essas horas aqui, porque já computei no item YouTube, então ficaria dobrado.

Além disto, estes influenciadores não são mais podcasters na minha opinião. Podcast é áudio. Eles são YouTubers que divulgam o áudio dos seus vídeos em plataformas de podcasts.

Netflix e Streaming

Não assisti séries este mês, mas vi cinco filmes, sendo um no cinema. Foram todos com minha família, então, estão nas regras do Detox Digital.

Notícias

Não assisti vídeos de notícias este mês e nem fiquei tentada a fazê-lo.

O Brasil está enfrentando um dos piores desastres climáticos dos últimos séculos. O Rio Grande do Sul, um Estado no extremo sul do país, teve a maior enchente da sua história.

As áreas mais afetadas, como infelizmente costuma ser, são as áreas mais pobres. Além dos centros históricos, que foram construídos séculos atrás.

Não faltou aviso, os cientistas alertaram dos perigos. Não faltou dinheiro, o setor responsável por esta questão no Estado era superavitário e tinha centenas de milhões de reais em caixa. Faltou prevenção, cultura, ciência, gestão e caráter, na minha opinião.

O resultado? Quase quinhentas cidades afetadas, quase meio milhão de pessoas tiveram que deixar suas casas, quase mil pessoas feridas, dezenas desaparecidas e quase duas centenas falecidas. Até agora.

Vidas humanas são obviamente o que mais importa neste desastre. Mas trabalho com museus, não tem como não sofrer também pelos museus e seus profissionais.

Os museus e bibliotecas mais bem estruturados implementaram planos emergenciais de salvaguarda do acervo antes da enchente. Ainda que tenham conseguido proteger as coleções, os edifícios históricos foram invadidos pela água.

Também sofro pelas famílias que perderam seus objetos sentimentais, suas fotos, seus brinquedos da infância, suas raízes, seus “museus pessoais”.

É uma tragédia sem precedentes, que tem direta ligação com a crise planetária climática e também com a flexibilização da legislação ambiental na região.

A imprensa brasileira postou vídeos e notícias de enchentes no mundo todo, refletindo sobre o aquecimento global e suas consequências. Uma discussão oportuna, agora que o Brasil está sediando o encontro do G20 sobre o tema.

O planeta está pedindo socorro… estas tragédias virarão rotina se não fizermos nada!

Se você está fora do Brasil e quer ajudar as vítimas ou os museus afetados pela enchente, entre em contato comigo clicando aqui que eu te auxiliarei a fazê-lo.

Música

Segui as regras do Detox.

Em termos de música “analógica”, em Maio, eu e meu esposo fomos a mais um concerto da Orquestra 415. Falo sobre ela no Diário de março.

O concerto foi intitulado A Prisão de Bach e tocou obras desse compositor, alternadas com cenas teatrais que retratavam conversas fictícias dele com um colega de cela. As falas de Bach foram em sua maioria retiradas das letras de suas cantatas.

Bach foi preso na vida real, em 1717, porque o Duque de Weimar não queria deixá-lo ir trabalhar em outro lugar. Isso é um completo absurdo, um autoritarismo! Fiquei refletindo como hoje gozamos de liberdades inimagináveis, como escolher para quem gostaríamos de trabalhar.

Quer dizer, nem todos. Mas provavelmente o leitor desfruta desse avanço civilizatório.

Facebook

Gastei 40 minutos este mês no Facebook, interagindo nos grupos de museologia e desenvolvimento Web. Consegui ficar nas regras do Detox.

Instagram

Fiquei menos de meia hora de novo no Instagram em maio, tudo nas regras do Detox.

Twitter

Não acessei o Twitter este mês. E nem fiquei tentada a acessar. Só tragédias absurdas das guerras criminosas em curso no mundo e da enchente no nosso país.

Conclusão

Há quatro anos estávamos em pleno isolamento da pandemia.

E o que fiquei refletindo com estas memórias, para fins deste Detox, é que as pessoas parecem ainda mais viciadas em conteúdos digitais depois da Covid-19: redes sociais, reuniões on-line, e-mails, apps de mensagens, vídeos, etc. O avanço da digitalização neste período trouxe vantagens, mas também, muitas desvantagens.

Além disto, há quatro anos éramos privados de tudo. Não só de convívio com as pessoas que amamos, mas até de coisas simples, como respirar ar puro sem usar uma máscara, comer em um restaurante, frequentar praças, parques e museus, que foram fechados para evitar aglomerações.

Depois de tudo que vivemos, não podemos mais encarar estes prazeres cotidianos como trivialidade. Temos que valorizar as pequenas alegrias do nosso dia a dia.

Cada dia conta, cada hora conta, cada minuto conta. É sábio viver no presente. A gente não sabe nada do amanhã. Por isso, temos que planejar o futuro, claro, mas focando na jornada. Vivendo uma vida com mais amor, beleza, leveza e significado. É sábio viver um dia de cada vez.

A única certeza de que temos é do momento presente. Não o desperdice. Nós não precisamos conquistar mais nada para sermos felizes e gratos por estarmos vivos agora.

Hoje eu só tenho um simples desejo… hoje eu só quero que o dia termine bem para todos nós e para aqueles que amamos.

Será publicado em Julho de 2024!

Será publicado em Agosto em 2024!

Será publicado em Setembro de 2024!

Será publicado em Outubro de 2024!

Será publicado em Novembro de 2024!

Será publicado em Dezembro de 2024!

Será publicado em Janeiro de 2025!

Foto de Ana sorrindo. Ana é uma mulher branca de meia-idade, com grandes olhos castanhos e cabelos ondulados com mechas louras, na altura dos ombros.

Ana Cecília é professora na UFMG, Brasil. Pesquisa gestão inclusiva e tecnologias da informação e comunicação para museus, bibliotecas e arquivos. Mora em Belo Horizonte com o esposo Alberto e seus dois filhos. Ama ler, desenhar, caminhar e viajar.

 

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