Conta falsa de WhatsApp com meu nome
Estes dias meu pai recebeu um zap “meu” dizendo que aquele era o meu novo número só para a família, sendo que o meu outro número ficaria exclusivamente para o trabalho. A conta de WhatsApp tinha o meu nome, a minha foto e, coincidentemente ou não, usou um argumento que eu já tinha publicado no meu blog.
De fato, eu já tive dois celulares no passado e falo sobre isto em palestras, aulas e posts. Entretanto, algumas coisas eram estranhas…
No nome havia meu sobrenome do meio, que eu não uso há quase duas décadas quando não sou obrigada a escrever meu nome completo. Eu chamei meu pai de “pai” e não dos apelidos bem-humorados que costumamos usar diariamente. Eu não tenho WhatsApp e nem Telegram desde 2019. E o post sobre isto é um dos mais lidos do blog.
Por fim, o que deixou bem óbvio que era um golpe: o golpista pediu dinheiro. Muito dinheiro. Com o argumento de que “eu” precisava fazer um pagamento, mas tinha tido um problema com o app do banco. E “eu” devolveria o dinheiro no dia seguinte, porque iria ao banco resolver a questão com o gerente.
Meu pai não caiu no golpe, não repassou dinheiro para o golpista e fez o certo: telefonou para mim para me informar o que estava acontecendo. Como não atendi, ele telefonou para o meu esposo. Logo que pude, eu retornei à ligação e meu pai me passou os prints da tentativa de golpe.
Esta história teve um final feliz. Mas diariamente milhões de pessoas ao redor do mundo estão sendo roubadas on-line ou estão sofrendo estelionato emocional virtual. E isto só vai piorar.
Golpes virtuais estão ficando cada vez mais bem elaborados e sofisticados
Hoje em dia é possível obter uma quantidade absurda de informações publicadas na Web sobre as pessoas, empresas e instituições. E estas informações ajudam na elaboração de golpes cada vez mais eficazes.
Uma instituição do meio museal que eu conheço caiu num golpe e transferiu dinheiro para os golpistas. Os criminosos sabiam direitinho o caminho das pedras para simular uma situação de transferência que de fato esta instituição faz com frequência, por isso caiu no golpe. Foi muito bem-feito.
Por tudo isso, resolvi escrever este post para alertá-los sobre a existência deste WhatsApp falso com meu nome. E, também, para dar dicas de como não cair neste tipo de golpe, envolvendo a mim ou não.
Como saber se você está falando comigo?
No meu caso, a situação é complicada, porque como professora e blogueira, tem muita informação disponível a meu respeito. Isso aumenta o risco das pessoas que convivem comigo, pois fica mais fácil para os golpistas simularem que sou eu.
Eles nem precisam ler meu blog. Podem pedir uma IA para lê-lo por eles e simular uma conversa com as informações que eu forneço aqui, fingindo que sou eu. E com tanta informação sobre mim, fica fácil bolar uma conversa que pareça legítima.
Ou seja, este blog é um “mapa” para criminosos, psicopatas, narcisistas e pessoas tóxicas aplicarem golpes nos outros com meu nome e até em mim mesma.
Daí, se você está falando comigo por algum canal on-line, faça dupla checagem, conforme explico a seguir.
E-mail: Só sou eu se for um endereço que contenha @anacecilia.digital
Toda minha comunicação pessoal, social e profissional por e-mail acontece com e-mails que são do domínio do meu website www.anacecilia.digital
Portanto, se você não estiver falando com um e-mail que contenha @anacecilia.digital no endereço, você não está falando comigo! Sou muito cautelosa com cibersegurança, mas tenha em mente que ninguém está livre de ser hackeado. Portanto, se a conversa ficar muito estranha, tente entrar em contato comigo diretamente por telefone ou reunião.
Eu até tenho e-mails genéricos (Gmail e Proton Mail), mas eu uso o Gmail somente para participar de reuniões no Meet, inscrições em fóruns e coisas do tipo. E o Proton Mail para comunicações de compras e serviços. (Recomendo a Proton, a propósito!)
Se você não é um prestador de serviço ou uma loja e está se comunicando comigo via um e-mail genérico (Gmail, Yahoo, Proton etc.), não sou eu! Você está conversando com um golpista.
Também não uso mais meus e-mails da UFMG (@ufmg.br). Estes e-mails existem, mas as mensagens são redirecionadas para meus e-mails @anacecilia.digital
A plataforma de e-mails da UFMG não é tão boa quanto a da Proton, por isso faço o redirecionamento, pois preciso de uma gestão avançada dos meus e-mails. Clique aqui ou na imagem abaixo para ler o meu post sobre Gestão do E-mail.

WhatsApp: Não sou eu, não tenho WhatsApp e nem Telegram!
Como já divulguei no blog, deletei o WhatsApp e o Telegram em 2019 e nunca mais voltei. Então, se alguém entrar em contato com você via estes apps, não sou eu e ponto final.
Leia aqui o post: Vivendo sem WhatsApp e sem Telegram: como aumentar sua produtividade e qualidade de vida deletando estes apps
Signal: Quase certo de que não sou eu!
Uso o Signal para me comunicar com meu esposo, minha irmã e meus pais. No Brasil, só estas pessoas. Aliás, costumo bloquear todos os demais brasileiros, mesmo parentes, colegas de trabalho próximos e amigos (não se ofendam, por favor!). Este é um app para comunicação familiar muito restrita.
No exterior, eu eventualmente me comunico via Signal ou iMessager (do iPhone) para ligações com profissionais de museus, professores, jornalistas etc. Preciso de um app de mensagens para ligação de voz ou videoconferência gratuito e eficiente. E o Signal é ótimo para isto. Mas geralmente agendo a conversa no Signal via e-mail!
Portanto, se alguém te contatar por mensagens via Signal diretamente, sem uma conversa prévia por e-mail com o endereço que contenha @anacecilia.digital, provavelmente não sou eu. Eu geralmente começo uma conversa com um estranho no exterior, e também no Brasil, por e-mail, não por aplicativos de mensagens.
Redes Sociais e seus apps de mensagens: Quase certo de que não sou eu!
Praticamente não uso mais redes sociais e seus apps de mensagens.
Tenho um perfil no LinkedIn, mas raramente acesso. Devo deletar meu perfil lá em breve e criar algum genérico, sem meu nome todo, só para acessar esta rede quando necessário.
Tenho um perfil no Facebook, sem amigos adicionados, para participar de alguns grupos profissionais. Mas eu não posto nada no meu perfil pessoal fora dos grupos. E peço o e-mail das pessoas via mensagens, para conversar por e-mail, não pelo Facebook.
Tenho um Canal de YouTube simplesmente porque esta rede social é o segundo maior buscador do mundo. Mas não tem nada lá, apenas um vídeo direcionando para meus websites.
Instagram, Twitter (atual X) e demais redes sociais, eu tenho um perfil com nome genérico, sem postagens, simplesmente para acessá-las quando preciso.
Eu praticamente só mando mensagens via redes sociais, geralmente o Instagram, para serviços (lojas, restaurantes, hotéis etc.).
Portanto, se algum perfil com meu nome/foto te pedir amizade ou mandar mensagens, quase certo de que não sou eu. Não uso mais redes sociais, com estas exceções acima. Faça dupla checagem por e-mail comigo.
Vídeos ou Áudios: Quase certo de que não sou eu, cuidado com a IA!
Não gosto de gravar vídeos, mas já me acostumei, porque é imperativo por questões profissionais. No meu blog tem vários vídeos meus com minha voz.
No YouTube, plataformas acadêmicas ou nuvens de conteúdos para museus, estão disponibilizados vídeos meus com imagem. Não são fáceis de achar, porque geralmente o meu nome não aparece na descrição do vídeo. Aparece o nome da universidade, museu, jornal ou evento acadêmico.
Mas golpistas mais espertos podem localizar estes vídeos e simular minha voz ou imagem. Portanto, para ter certeza de que sou eu, confira comigo via e-mail por um endereço que contenha @anacecilia.digital
Tendo em vista que é relativamente fácil falsificar videoconferência com IA, faça perguntas difíceis que só eu saberia responder imediatamente.
SMS e iMessage do iPhone: Há chances de ser eu, mas faça dupla checagem!
Eu me comunico sempre com as pessoas por SMS ou iMessage do iPhone, mas tenha certeza de que está falando com meu número mesmo. E desconfie de pedidos estranhos, alguém pode roubar meu celular ou me hackear!
Em caso de uma comunicação meio estranha, tente falar comigo ao vivo ou no mínimo por videoconferência antes de responder.
Convites para encontros, flertes, sexting ou nudes: 100% de certeza de que não sou eu!
Nós brasileiros nos cumprimentando abraçando e beijando todo mundo. Ainda mais eu, que sou super carinhosa.
Fotos minhas abraçando pessoas em lugares respeitáveis, como museus, congressos, vernissagens, universidades, restaurantes etc. provavelmente sou eu mesma.
Qualquer coisa fora de um abraço, não sou eu, é feito com IA. Mensagens flertando com você, não sou eu definitivamente, sou uma pessoa comprometida.
Sempre desconfie de “urgências”
Ainda que alguns golpistas sejam extremamente pacientes e converse com você por dias, meses ou até anos antes de aplicar o golpe, geralmente eles têm pressa.
Quanto mais o tempo passa, maiores as chances de você checar se é a pessoa mesmo. Ou maiores as chances de eles darem uma “bola fora” e você desconfiar de que não está falando com quem pensa que está.
Então, sempre desconfie de quem tem pressa para obter de você dinheiro ou favores. Se a pessoa está pressionando você para tomar uma decisão rápida, as chances de ser um golpe são grandes!
Sempre desconfie de pedidos exagerados de dinheiro, favores ou amizades
Apesar deu pesquisar cibersegurança e ser obcecada com isto no dia a dia, nada impede de um criminoso esperto hackear as minhas contas.
Então, desconfie de pedidos muitos exagerados de qualquer espécie via Web, principalmente se “eu” (o golpista) não quiser agendar uma reunião presencial com você ou fazer uma ligação telefônica/videoconferência.
Eu nunca peço dinheiro para mim. Portanto, se o dinheiro for para mim pessoalmente, nunca sou eu.
Eu definitivamente peço dinheiro para projetos, museus, pesquisas, filantropia, eventos acadêmicos etc. Sou extremamente cara de pau nisto e já obtive sucesso várias vezes, então, não pretendo parar!
Mas eu não tenho na minha memória nenhuma vez em que pedi grandes quantias que não fosse ao vivo. Eu marco uma reunião presencial, levo um prospecto ou uma apresentação do projeto, converso com a pessoa ao vivo, porque é muito mais eficiente, educado e elegante.
A chance de você patrocinar, apoiar ou doar dinheiro se o pedido for presencial é mil vezes maior do que por e-mail ou telefone. Então, se tem alguém te pedindo grandes quantias ou favores em meu nome via Web, provavelmente não sou eu.
De vez em quando eu apoio campanhas de financiamento coletivo (crowdfunding) de museus, doações para instituições cristãs ou filantrópicas.
Como hoje em dia existem muitos golpes neste sentido, sempre que eu apoiar uma campanha destas, vou divulgar no meu blog ou vou entrar em contato diretamente com você. Por exemplo, via ligação telefônica ou encontro presencial.
A mesma coisa se aplica aos pedidos de favores, como receber um aluno meu no seu museu para uma pesquisa ou coisas do tipo. Nestes casos, eu também vou entrar em contato direto com você por um e-mail que contenha @anacecilia.digital, telefone ou reunião presencial.
Nas decisões e parcerias importantes, sempre vou para o presencial
“Mas Ana, eu estou no exterior ou em outra cidade que não a sua no Brasil.”
Se nossa relação profissional ou social for muito importante para mim, ou se houver a possibilidade de uma colaboração acadêmica relevante com você em algum dos nossos projetos, acredite, eu vou pegar um avião e vou até você!
Ou vou me inscrever em algum evento presencial (curso, congresso, palestra etc.) que você esteja, para aproveitar a oportunidade de te conhecer ao vivo e estabelecer esta parceria com você.
Eu já fiz isto antes? Inúmeras vezes. Como falei, sei que conhecer a pessoa ao vivo muda o jogo completamente. Portanto, é um investimento de tempo e recursos que vale a pena.
Então, realmente desconfie de um contato profissional meu “arredio”, que não quer conversar com você por videoconferência, não quer agendar uma reunião presencial com você e por aí vai. Geralmente é o contrário! Eu estou só esperando o momento certo para sair do virtual e te pedir uma reunião.
Se alguém está tentando estabelecer uma amizade séria ou parceria profissional com você on-line e está fugindo de uma reunião, esta pessoa não sou eu, é um golpe. Faça dupla checagem e entre em contato comigo por telefone ou por e-mail com um endereço que contenha @anacecilia.digital
Preciso falar com você, mas não tenho seus contatos, como faço?
Por favor, escreva para mim no meu Formulário de Contato deste website que te repasso. Eu respondo meus e-mails do blog geralmente no sábado de manhã ou segunda à tarde. Se for um contato profissional, talvez responda antes, se eu vir sua mensagem.
Eu também posso precisar checar se você é você!
Eu também estou sujeita a cair em algum golpe. Portanto, se você entrar em contato comigo via formulário, não se ofenda se eu tentar obter mais comprovações de que você é mesmo quem você diz que é.
Por exemplo, se você é um profissional de museu, eu posso entrar em contato com sua instituição e tentar falar com você lá via telefone. Ou conferir com a secretaria se o e-mail que você usa é aquele mesmo.
Geralmente eu sou muito cautelosa nas nossas conversas até certeza de que você é você. Portanto, não estranhe se eu fui super calorosa com você ao vivo num congresso, mas pareço “fria” em um e-mail. Talvez eu esteja na dúvida se estou falando mesmo com você.
Também tento checar as informações de quem me escreve pela primeira vez antes de responder. Se você é uma pessoa legítima e não recebeu resposta minha, pode ser que eu esteja com receio de ser uma mensagem/pessoa falsa. Por favor, entre em contato comigo de outra maneira.
Sou mineira. Mineiros são desconfiados. Não sei se o estereótipo vale para todos os mineiros, mas definitivamente vale para mim.
Professores, intelectuais públicos ou blogueiros conversam com seus leitores? Não é sempre um golpe?
No meio intelectual, as pessoas públicas conversam virtualmente e estabelecem parcerias sim com seu público.
Cuidado com os narcisistas e psicopatas, claro! Às vezes você se encanta com a figura pública de alguém e nos bastidores a pessoa é extremamente tóxica. Mas se você quer mandar um e-mail, estabelecer uma amizade ou parceria com alguém que admira, não se intimide com seu currículo. Vá devagar, mas vá em frente!
Eu me correspondo com escritores, artistas, professores notórios ou intelectuais públicos, no Brasil e no exterior. E sei que estou falando com eles mesmos, porque eu os encontro ao vivo em suas palestras, lançamentos de livros, vernissages, congressos acadêmicos, cursos etc. Às vezes, até mesmo para um almoço ou café, quando a parceria avança e sai do virtual!
Não sou famosa (graças a Deus!). Este blog tem milhares de seguidores, não milhões. Mas tento responder a todo mundo que me escreve de forma educada. Pode demorar um pouco, mas eu respondo. Entretanto, se sua mensagem ou seu endereço de e-mail não me parecer legítimo, eu não vou responder. Neste caso, se você for legítimo e não tiver recebido uma resposta minha, tente entrar em contato comigo de outra maneira, por favor.
Tome as precauções necessárias, mas também não deixe de conhecer gente interessante on-line. Não deixe de viver a sua vida e de fazer o que precisa ou quer fazer por conta dos golpes.
Ana, quais precauções são estas?
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Agradecimentos: Alberto Nogueira Veiga. Imagem: Dinheiro de brinquedo (Pexels).











