Apresentação

Nesta aula bíblica, reforçaremos a Parábola do Semeador e abordaremos algumas questões sociais que são urgentes no contexto contemporâneo, tais como a produção sustentável de alimentos, a desconexão da população urbana com a realidade do campo, a escravidão no nosso passado recente, o racismo, os estereótipos de beleza e de gênero. Procuraremos entender um pouco mais sobre o contexto bíblico, no qual as figuras de linguagem associadas ao campo são constantes. Por fim, incentivaremos a aquisição de conhecimento através da leitura, por meio de uma exploração com livros.

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Objetivos

  • Reforçar a Parábola do Semeador (Mateus 13, Marcos 4).
  • Compreender por que o campo, a natureza e os alimentos são metáforas e temas constantes na Bíblia, contextualizando a parábola em questão.
  • Realizar uma ação afirmativa ao adotar um fantoche de cientista negra (trabalhar o racismo), mulher (trabalhar os estereótipos de gênero) e com cabelos crespos (trabalhar os padrões impostos de beleza).
  • Ensinar a importância do trabalho rural e da agricultura sustentável, as diversas etapas necessárias para que o alimento chegue até a nossa mesa, criando conexão da criança com a produção do que consumimos nas refeições.
  • Incentivar a gratidão a Deus pelos alimentos e por quem os produz.

Materiais

Teatro

  • Fantoche de professora.
  • Fantoche de cientista negra médica, com cabelos crespos e jaleco.
  • Gravura ilustrativa da Parábola do Semeador.
Professora Ana (qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência) e cientista Laura (pesquisando a vacina contra a Covid-19).

Atividade

  • Livro Destaque, monte e brinque – A Fazendinha.
  • Livros infantis e adultos que abordem fazendas, campo e alimentos naturais.

Alternativos

  • Qualquer brinquedo de fazenda de montar, como Lego, blocos e afins.
  • Montar sua própria fazenda, desenhando os itens e recortando.
  • Imagens impressas da Web, pdfs ou livros digitais sobre fazendas e alimentos.

Roteiro

Professora: Bom dia, crianças, bem-vindas à nossa escola dominical! Aula passada, nós aprendemos sobre a Parábola do Semeador e fizemos uma atividade com sementes. Foi muito legal, não foi?

Eu queria que a gente relembrasse aquela parábola, mas antes disto, eu gostaria de apresentar para vocês uma convidada muito especial da nossa aula de hoje. Laura, vem aqui, por favor!

Cientista: Oi, crianças, bom dia! Tudo bem com vocês? Muito obrigada, professora Ana, pelo convite. (Uma salva de palmas para a convidada.)

Professora: A Laura é médica e estuda o funcionamento do corpo humano e dos vírus. Já fez pesquisas até com os astronautas, para descobrir como os vírus se comportam nos laboratórios das estações espaciais. Agora, com a pandemia, a Laura está trabalhando nas pesquisas da vacina contra o novo coronavírus. É uma honra para nós termos você aqui na nossa escola dominical, Laura. Seja muito bem-vinda!

Cientista: Ah, muito obrigada, Ana! Obrigada, crianças! É uma alegria vir aqui conversar com vocês.

Professora: Laura, nós aprendemos sobre a Parábola do Semeador. Você conhece esta parábola, claro, você lê muito. Mas, crianças, a gente podia contar para a Laura o que a gente aprendeu com esta parábola, que tal? Quem se lembra da Parábola do Semeador?

Mostrar a gravura do semeador. Deixar as crianças falarem livremente, sem interrupções. No final, estimular a memória, especialmente das sementes caindo em terra fofa e o que isto significa (os pontos da discussão da aula Semeador 1).

Gravura da Parábola do Semeador.

Cientista: Muito bem, crianças, que coisa boa ver que vocês estão aprendendo sobre uma parábola tão importante para a nossa vida. Sabe, a Bíblia é repleta de histórias que falam sobre alimentos, sementes, natureza, campos e fazendas. Sabem por quê? Porque muito tempo atrás, quando a Bíblia foi escrita, a maioria das pessoas vivia no campo, trabalhando com a terra. Não tinha cidades enormes, cheias de prédios e ruas asfaltadas.

Hoje é o contrário! Aqui no Brasil, por exemplo, a maioria da população mora em cidades, como nós. Portanto, um grupo muito pequeno de pessoas produz todo o alimento que um grupo muito grande consome todos os dias no café da manhã, no almoço, no jantar… São os trabalhadores rurais, como o semeador. Estas pessoas trabalham em fazendas, hortas e sítios.

Nos tempos de Jesus era muito difícil plantar e colher. Não existiam os recursos que nós temos hoje, como equipamentos, conhecimentos científicos avançados, bons adubos e tudo mais que nos ajuda a produzir os nossos alimentos. Então, esta questão da agricultura fazia parte do dia a dia das pessoas nos tempos bíblicos. Produzir alimentos era algo muito importante. E continua sendo, com certeza.

Professora: Pois é, Laura, a gente vê aquela comida linda e gostosa no nosso prato e nem imagina quantas pessoas trabalharam para que esta comida chegasse na nossa mesa, não é mesmo? É muita gente! Um trabalho muito importante. Nós precisamos agradecer a Deus pela vida de cada um destes trabalhadores.

Cientista: É verdade, Ana, muito mesmo. Escuta, crianças, eu vi que nesta casa tem muitos livros. Eu gostaria de convidar vocês para uma caça ao conhecimento: vamos descobrir nos livros como que funciona uma fazenda? Crianças, vocês topam esta aventura?

Livrinhos infantis com conteúdos sobre fazendas.

Atividade

Pesquisar no livros

Procurar nas estantes de livros, tanto na biblioteca dos adultos, quanto das crianças, publicações que falem sobre alimentos, fazendas e agricultura. Identifique antes quais são estes livros, para poder pegá-los na hora, mas não os retire previamente das estantes: o ato de pesquisar e procurar entre os livros, além de divertido, mostra como devemos fazer quando precisamos aprender sobre um assunto.

Veja os livros com as crianças e aproveite para ensinar as diversas etapas do trabalho rural: plantio, colheita, processamento, distribuição, consumo.

Alternativa: Acesse websites, imprima imagens da Internet ou baixe pdfs, se não puder consultar livros físicos sobre o tema.

Livros adultos com conteúdos sobre fazenda, gastronomia e cultivo de alimentos.

Monte uma fazendinha

Monte uma fazendinha, utilizando o livro Destaque, monte e brinque – A Fazendinha ou algum brinquedo que permita reproduzir uma fazenda. Se não tiver nenhum, façam vocês mesmos com papel e tesoura, recortando os desenhos.

Livro A Fazendinha – Edições Usborne.

Atividades para a semana

Documentários Fazendas Históricas

Assistir a um episódio da série de documentários Fazendas Históricas. São documentários curtos, que mostram sedes de fazendas antigas no Brasil. Comente com a criança como os materiais e a arquitetura horizontalizada das fazendas é diferente da arquitetura típica das cidades grandes, não raro compostas por edifícios verticais e concreto.

Em alguns destes episódios, outros temas essenciais, como a questão da escravidão, também são levantados. Assistir ao episódio previamente para verificar a necessidade de pular alguma parte, de acordo com a idade da criança. Outra opção é buscar vídeos e documentários na Web.

Visita em uma sede de arquitetura rural

Se tiver acesso presencial a uma arquitetura típica de fazenda, faça um passeio. Por exemplo, em Belo Horizonte, temos o Museu Histórico Abílio Barreto, cuja edificação principal era uma antiga sede de fazenda. Outra opção, para quem não tiver acesso a uma arquitetura rural, é realizar uma visita virtual no Google Maps. Quando possível, visite presencialmente, ainda, uma estufa, sítio ou fazenda produtiva, com plantações, etc.

Inclusão

Criança com deficiência visual:

  • Faça uma experiência tátil, selecionando vários instrumentos associados à jardinagem e ao campo, tais como: regador, ancinho, pazinha, botas, tratores e caminhões de brinquedo. Encha uma caçamba de um caminhãozinho com sementes de feijões e faça o exercício dos trajetos: curto para os produtores locais, longo para fazendas distantes.
  • Procure na Internet vídeos que possuam sons associados ao campo, tais como passarinhos, água (rega), tratores, sementes caindo na caçamba do caminhão, etc.
  • Ouça audiolivros e músicas que falem sobre produção de alimentos e fazendas.

Discussão

Para crianças menores, foque em ensinar como os produtos chegam até a nossa mesa e a importância de se comer alimentos orgânicos, frescos e saudáveis, como frutas, legumes, sementes, etc.

Para crianças alfabetizadas, já é possível introduzir algumas questões sociais relacionadas ao tema:

  • Demonstrar como é trabalhoso produzir alimentos e como precisamos valorizar o ofício do homem do campo, agradecendo a Deus pela vida destas pessoas.
  • Os benefícios de priorizar produtores locais pequenos em detrimento de grandes corporações, consumindo um alimento mais fresco e impactando menos o meio ambiente com o transporte. Simule o trajeto longo e um trajeto curto com um caminhão de brinquedo.
  • A possibilidade de optar por alimentos orgânicos e os problemas causados no meio ambiente pelos agrotóxicos.
  • A importância de dividirmos a terra entre as várias famílias que querem trabalhar no campo, não concentrando tudo num dono só. Fazer um paralelo com os brinquedos, imaginando como seria se uma criança só ficasse com todos os brinquedos para si. Na vida, precisamos dividir tudo, desde brinquedo até a terra!

Dica

Estes assuntos são complexos e não precisam ser abordados em profundidade, nem todos ao mesmo tempo, mas podem ser levantados aos poucos, quando algum “gatilho” surgir.

Por exemplo, quando a criança vir uma pessoa em situação de rua e comentar alguma coisa, é possível levantar que muitos deles podem ser trabalhadores do campo que vieram do interior ou de fazendas, em busca de melhores oportunidades na cidade grande, mas que estão lutando para sobreviver no cenário urbano.

Reforçar como podemos ajudá-los através de trabalhos sociais voluntários, votando corretamente, lutando por justiça social e pagando integralmente nossos impostos, dentre outras opções. Cite casos de pessoas que saíram da situação de rua, programas sociais da sua igreja que estão fazendo a diferença, dentre outros casos de superação.

É importante, no contexto da criança, levantar o problema, as possíveis soluções e alimentar a esperança e o espírito de solidariedade próprio do cristianismo, mostrando que a atitude dela faz diferença para melhorar o mundo e a vida do próximo.

Pintura “Paisagem com plantação: o engenho” de Frans Post, 1660.

Observação: Quando a cientista Laura viu esta imagem no livro de artes, perguntou às crianças: “Por que todos os trabalhadores são negros?” Então, juntos, elas relembraram com a Laura sobre o período terrível da escravidão no Brasil e sobre o fato de que se Laura tivesse nascido naquela época, não poderia ser cientista. Também refletiram como somos todos diferentes na aparência, mas iguais em inteligência, potencial, direitos e deveres.

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Roteiro desta aula Parábola do Semeador 2 em PDF

Referências

Fantoche professora e cientista Laura: Fantoches customizados mediante encomenda, confeccionados por Retalhos e Sonhos.

Gravura do Semeador: Coleção Bíblia, Catequese em imagem – Richad e Frances Hook, Edições Paulinas – 1982.

Livro de montar: Destaque, monte e brinque – A fazendinha, da Edições Usborne. Obs: Esta editora possui vários livros excelentes. Procure em outras livrarias também, não somente no website da editora, pois às vezes é possível encontrar promoções melhores.

Série de documentários: Fazendas Históricas – Amazon Prime Vídeos. Obs: Caso não seja assinante do serviço, é possível obter um mês gratuitamente. Assista aqui ao trailer da série.

Museu Histórico Abílio Barreto: Conheça a sua arquitetura barroca através do Google Maps.

Observação importante: Os produtos e links apresentados neste roteiro não têm nenhum vínculo comercial com a autora e foram indicados sem recebimento de qualquer benefício, desconto, patrocínio ou comissão. As referências servem apenas como crédito, facilitando ainda para os pais encontrarem os itens mencionados nas atividades, caso desejarem.

Agradecimentos: Alberto Nogueira Veiga e Paulo Rocha, pelos preciosos comentários e sugestões.

© Todos os direitos reservados, autorizado o uso não comercial, sem fins lucrativos.

Versão 1.4 – Última atualização em Junho de 2021.

Foto de Ana sorrindo. Ana é uma mulher branca de meia-idade, com grandes olhos castanhos e cabelos ondulados com mechas louras, na altura dos ombros.

Ana Cecília é professora da UFMG. Pesquisa gestão inclusiva e tecnologias da informação e comunicação para museus, bibliotecas e arquivos. Mora em Belo Horizonte, Brasil, com o esposo Alberto e seus dois filhos. Ama escrever, ler, desenhar e viajar.

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