Um Deus implacável: A teologia fundamentalista que tem contribuído para o caos nesta pandemia

Para quem tem uma abordagem fundamentalista do cristianismo1 faz sentido aceitar a pandemia como uma determinação divina. Deus, em sua soberania, teria mandado este fardo para nos ensinar, para nos purificar.

Além de atribuir uma origem divina à pandemia, o fundamentalismo gera, também, uma nova “teologia da imunidade dos escolhidos”, a versão pandêmica da “teologia da prosperidade”, na qual é pregado que não devemos temer, que não dormita Aquele que nos guarda, que mil cairão ao nosso lado, mas se Deus assim o quiser, nada acontecerá conosco.

Então, o medo do vírus e da negligência de nossas autoridades diante dele é deslocado para o temor da vontade de Deus. Não é importante fazer isolamento social, usar máscara e álcool gel. O essencial, neste contexto, é clamar por misericórdia e por um milagre. E “torcer” para estar entre os agraciados com o livramento, cujos critérios divinos para dispensação se teria pouco acesso.

Quem crê que Deus ordenou um dilúvio, que ceifou a vida de crianças, pessoas idosas e mulheres grávidas em uma enchente, tem mais facilidade de aceitar que Ele também possa tê-las permitido falecer com Covid-19, nas filas de espera por oxigênio ou por uma vaga na UTI. Para os que creem em um Deus que não hesita em ordenar, em sua ira punitiva, pragas ao Egito, adormecendo os primogênitos, faz sentido acreditar também que, nesta pandemia, o “povo escolhido” atravessará o mar incólume. Tem “lógica” crer que estas mortes não são perdas evitáveis, mas seleção divina.

O terceiro grave efeito desta teologia fundamentalista estreita é abrir portas para a crença na desinformação e nas fake news, as notícias falsas. Há quem pregue que Deus suspendeu a gripe espanhola em um só dia. Há quem diga que mantendo a fé, a morte não baterá à sua porta. Alegam que, como Daniel, estamos sob “decreto satânico”, numa clara alusão aos fechamentos dos templos durante o isolamento social. Segundo o presidente internacional dos Médicos sem Fronteiras (MSF), o Brasil é o único país onde a população utiliza de forma maciça medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina, que já se mostraram cientificamente ineficazes no combate ao Coronavírus.2

E a ciência, a sabedoria, o conhecimento, estes milagres propiciados pela graça de Deus, vão sendo ignorados por aqueles que poderiam estar usufruindo plenamente destas bênçãos. Este é o verdadeiro livramento, dentro da esfera do livre-arbítrio. Quem pagará o maior preço é o rebanho humilde e simples. Como bem disse um articulista, estão querendo abreviar o encontro dos fiéis com seu Criador.3 O mais absurdo é que tal comportamento, desprovido de qualquer bom-senso, envolve não somente pastores, mas até médicos cristãos.4

Por trás desse discurso de “coragem” diante da doença, deste chamamento a uma postura de triunfo, ousadia e euforia espiritual, não raro escondem-se grandes sofrimentos interiores. As igrejas estão abarrotadas de pessoas angustiadas. Sentem-se cotidianamente entregues ao destino, sem base sólida para assentar suas decisões de vida, diariamente varrendo para debaixo do tapete as contradições desta teologia maligna, tateando no escuro, com medo da fúria de um Deus implacável.

O perigo de afirmar que todo o infortúnio é vontade de Deus não é tanto que as pessoas deixem de acreditar nEle. O perigo é que continuem a acreditar em Deus, mas acreditem em coisas terríveis a Seu respeito.

C. S. Lewis5

Por fim, esta teologia nefasta aniquila o mandamento mais basilar do cristianismo: o amor ao próximo. Quando consideramos que milhões de mortes e de sequelados, física, mental e financeiramente, estão na conta de Deus, traímos a mensagem da cruz, que é uma mensagem de bondade e perdão.

Já dizia o apóstolo Paulo, permanecem a fé, a esperança e o amor. Estes três, mas o maior destes é o amor. Quando nos afastamos do amor, somos convencidos, não convertidos. Aliciados, não transformados. Inúmeros são os cristãos assim, nominais. Nos púlpitos e nos bancos. Afirmo isto tudo de um lugar de fala legítimo, com conhecimento de causa, pois cresci e vivi a maior parte da minha vida adulta no fundamentalismo. Peguei-me, então, a certa altura, na companhia de pessoas com comportamento estranho, adorando com eles um deus pior do que eu. E isto me fez parar para refletir.

Foi quando o véu caiu dos meus olhos e eu compreendi Cristo como nunca havia compreendido. Ele sempre esteve ali, Ele nunca mudou, minha fé é que era míope. Em tempos de liberdade religiosa, de fartura de igrejas e de interpretações bíblicas, o que este processo de amadurecimento espiritual me ensinou é que nossas escolhas teológicas revelam muito mais sobre nós mesmos do que sobre Deus.

Falam sobre onde nos encontramos nas moradas da fé6, como diria Teresa de Ávila. Alguns conseguem chegar à sala do trono e usufruir plenamente da presença do Pai, mas descobri que passei grande parte da minha vida às voltas da soleira. Nos últimos anos, finalmente, comecei a adentrar nas antessalas deste castelo, carregando comigo muitas perguntas e poucas certezas, mais humildade e menos contradições éticas. E fui calorosamente recepcionada pelo Seu amor incondicional.

O problema de contemplar Deus superficialmente é que acabamos atribuindo a Ele fenômenos que fazem parte da natureza e que a mão do homem amplifica, com suas decisões coletivas equivocadas. Terminamos, deste modo, cegos para as coisas que realmente poderiam gerar mudanças.

A pandemia não é fruto da ira divina, ela é uma tragédia humana resultante de um conjunto de erros graves. Estes perpassam desde a nossa relação com o meio ambiente até o absurdo negacionismo, cujas consequências estão evidentes para quem quiser vê-las. Passa também pela falsa dicotomia entre salvar vidas e salvar a economia.7 Indo além, com os conhecimentos científicos que temos hoje, com a riqueza que geramos no mundo, tínhamos condições de barrar essa mortandade em muito menos tempo, conforme declarações dos próprios organismos internacionais de saúde. 

Como? Com isolamento social amplo, redistribuição de remédios e imunizantes coordenada internacionalmente, auxílio emergencial para todos os que precisam poderem ficar em casa, quebra de patentes das vacinas, grupos de risco sendo priorizados em todos os países. Parece uma coordenação impossível de acontecer em nível global, contudo, quando pensamos, por exemplo, no sistema bancário ou nos transportes aéreos, percebemos o quão competente é o ser humano para administrar ações abrangentes. Não faltam capacidade técnica, recursos e nem conhecimento. O que nos faltam são visões de outra ordem.

A prova disto é que quase 90% das doses produzidas de vacinas até abril de 2021 haviam sido destinadas aos países ricos. O diretor geral da Organização Mundial de Saúde chamou a atenção para o fato de que, nestes locais privilegiados, uma em cada quatro pessoas já tinha sido vacinada, enquanto nos países pobres esta relação consistia em uma para cada quinhentas.8 Sequer profissionais de saúde estariam cobertos em muitos deles. Segundo ainda o diretor da OMS, o mundo está à beira de um fracasso moral catastrófico, uma vez que jovens estão sendo vacinados em países ricos, enquanto idosos morrem sem doses nos países pobres.9 Deveria vir primeiro o grupo de risco, não importa a sua nação ou bolso.

O mais trágico disto tudo é que o vírus não respeita fronteiras artificiais. Não adianta as pessoas abastadas ou os países ricos cuidarem só de seus interesses, pois com o grau de conexão que vivemos hoje, uma nova variante que surja em qualquer lugar, e que escape à proteção das vacinas, inevitavelmente alcançará a todos em um curto espaço de tempo.

O protecionismo ultrajante das nações, revelado nestes dias históricos, envolvendo inclusive sequestro de máscaras e equipamentos médicos em aeroportos, chocou aqueles que, como eu, tinham esperanças de viver em um tempo com princípios éticos e direitos humanos mais consolidados.10 Entretanto, onde vigora o egoísmo, predomina a barbárie. A civilização é um frágil verniz. E é triste constatar o papel dos países ditos de maioria cristã em tudo isto.

Não ouso fingir, como evangélica, que tenho as respostas para a existência das doenças e do mal no mundo, mas creio em um Deus que é puro amor. O que Cristo nos prometeu não foi prosperidade ou imunidade, mas que não estaríamos sós. Seja qual fosse o vale da morte que trilhássemos, a Sua paz, a Sua sabedoria e o Seu incondicional amor nos seguiriam todos os dias.

Quem causou a pandemia e os problemas dela advindos não foi Deus, mas a (in)ação humana e até as atitudes deliberadas que incentivaram a propagação do vírus, especialmente em nosso país.11 É um sofrimento que tem a ver com o ser humano. Atribuir causas divinas à Covid-19 é uma afronta ao Deus de amor. É também nos alienar das reais razões que nos levaram ao caos em que nos encontramos. Razões sociais, políticas, gerenciais, econômicas, éticas etc. A catástrofe que hoje vivemos não nos foi providenciada, mas sim cultivada por nós mesmos. Colhemos as tempestades dos ventos que plantamos.  

Contudo, Deus está presente todo o tempo, abençoando-nos com Seu amor, misericórdia e consolo, com Sua força e Sua instrução que nos conduz para fora deste vale sombrio. Em meio a esta onda de morticínio, regada a ignorância e a violência silenciosa, a sabedoria de Cristo continua a ser dispensada diariamente, para quem quiser abrir a porta e ouvir a Sua voz.  

Pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. (…) Repreendo e disciplino a todos quanto amo; sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, Comigo.

Apocalipse 3:17,19,20

E-book

Este manual de prevenção contra a Covid-19, escrito por médicos cristãos, detalha aspectos importantes da doença, das medidas preventivas de isolamento social e da vacinação. Nem todos os evangélicos são negacionistas. Divulgue a publicação!

Pense na ciência como uma dádiva do Criador.

Francis Collins – Ex-diretor do Instituto Genoma Humano, EUA

Notas

1. Fundamentalismo cristão.

Por fundamentalismo entendemos a crença na inerrância bíblica e na sua aplicação “ao pé da letra”, sem levar em consideração o contexto temporal, histórico e cultural no qual foi escrita. Segundo o dicionário:

movimento religioso e conservador, nascido entre os protestantes dos E.U.A. no início do século XX, que enfatiza a interpretação literal da Bíblia como fundamental à vida e à doutrina cristãs [Embora militante, não se trata de movimento unificado, e acaba denominando diferentes tendências protestantes do sXX.]. Por extensão: qualquer corrente, movimento ou atitude, de cunho conservador e integrista, que enfatiza a obediência rigorosa e literal a um conjunto de princípios básicos; integrismo.” Dicionário Oxford Languages.

2. Uso do “Kit Covid” e outros medicamentos sem comprovação científica.

A declaração do presidente dos MSF foi extraída da reportagem Morte por Covid no Brasil podiam ter sido evitadas com medidas básicas, dizem Médicos sem Fronteiras. O uso inapropriado do chamado “Kit Covid” vem causando sequelas graves e até óbitos, além de incentivar comportamentos de risco, pois a população muitas vezes não adere ao isolamento social confiando na eficácia destes medicamentos. Até o momento (Maio de 2021) não existe “tratamento precoce” comprovadamente eficaz contra a Covid-19, nenhum remédio que garanta a sua cura.

3. Ao liberar igrejas, Nunes Marques ajuda fiéis a encontrarem seu criador (Artigo).

Este texto, de Leonardo Sakamoto, apresenta uma reflexão importante sobre a conduta das igrejas evangélicas nesta pandemia, levantando pontos como as promessas equivocadas de livramentos, os imperativos da sustentabilidade financeira dos templos, dentre outros. O artigo diz: “Parte das igrejas quer permanecer com atividades presenciais, mesmo em meio aos recordes de mortes por covid-19, para mostrar que a teologia que venderam antes da pandemia não é uma ilusão e, portanto, quem vier a seus cultos estará seguro e não tem com o que se preocupar. Com isso, coloca pessoas em risco.

4. Médicos e o comportamento negacionista na pandemia.

Chocou-me especialmente o caso dos médicos evangélicos que publicaram no portal da editora Ultimato, uma das mais importantes do Brasil, um plano de contingência recomendando que encontros presenciais continuassem a acontecer entre os irmãos, inclusive na casa de idosos, com justificativas bíblicas para tal e com informações científicas equivocadas. Por exemplo, considerando-se que os indivíduos estivessem “saudáveis”, sendo que já sabíamos dos casos assintomáticos. Por fim, após protestos, inclusive da autora deste blog, a editora Ultimato incluiu um aviso no começo, alertando sobre a data da publicação e sobre o distanciamento social. Contudo, a esta altura, o artigo já havia sido amplamente curtido e compartilhado, espalhando a desinformação entre a liderança evangélica. Provavelmente ceifou muitas vidas ao incentivar o comportamento temerário.

O fato de um percentual grande de médicos estar receitando procedimentos e remédios que não funcionam, com comprovação científica conclusiva sobre sua ineficácia, revela, ainda, a deficiência da educação e da formação ética em nosso país. Muitos médicos são “replicadores” de fórmulas, não compreendem perfeitamente como funciona a ciência. Não possuem noções claras de metodologia científica, ensaio duplo cego, testagem com placebo etc. Outros estão cegos por uma fé dogmática ou por ideologias políticas.

O artigo Quando médicos se tornam monstros abomináveis , escrito por uma médica e professora titular da USP, fala sobre a desinformação no meio da saúde, bem como sobre os negacionistas infiltrados nos conselhos profissionais.

5. Deus, a humanidade e a pandemia – Pr. Luiz Felipe Xavier (Vídeo).

A citação de C. S. Lewis consta no livro A anatomia de uma dor e nesta excelente pregação, na qual o pastor Luiz Felipe fala sobre os falsos mestres e encoraja a resistência aos falsos ensinos. Critica a posição determinista, que responsabiliza Deus por todas as coisas, inclusive pela pandemia, numa visão equivocada da soberania divina. O pastor se declara um determinista arrependido. Em seguida, a pregação apresenta a posição oposta. Deus não é o causador de todas as coisas, nem da pandemia. No texto de Jeremias, encontramos O Senhor alertando sobre o fato de que os humanos fizeram coisas que Ele nunca havia ordenado ou pensado. (Jeremias 7:31). O coronavírus pode ter sido uma reação do planeta às nossas ações abusivas. Deus, portanto, delegou a administração do mundo aos seres humanos, assumindo o risco disto e responsabilizando, ainda, todos nós pelas nossas atitudes. O sermão conclui com a mensagem do Evangelho, que nos chama à fé em Cristo, testemunho do Reino, arrependimento, oração e amor. Numa mensagem de esperança, reforça: “Vai passar, se cuide!”. Este resumo não substitui o vídeo, que tem muito mais reflexões importantes. Recomendo vivamente que assistam.

6. As Moradas do castelo interior – Teresa d’Ávila, Realizações Editora (Livro).

Neste livro, escrito há cinco séculos, porém ainda inspirador, Teresa “se vale de uma metáfora para organizar seu ensino: nossa alma é um castelo onde há muitos aposentos, assim como no céu há muitas moradas. ‘Umas no alto, outras embaixo, outras nos lados, e, no centro, no meio de todas estas, está a principal, que é onde ocorrem as coisas mais secretas entre Deus e a alma’. A porta de entrada deste castelo é a oração.” (Citação extraída da quarta capa)

7. Prefeito que perdeu pai e irmão para covid-19: “Vida é mais importante que comércio” – BBC News Brasil (Vídeo).

O pai e o irmão (33 anos) deste prefeito morreram de Covid-19, um internado pelo SUS e outro pelo plano de saúde. No vídeo, o prefeito Márcio Melo Gomes dá uma entrevista e explica, com clareza, porque cuidar da vida também é cuidar da economia. Ele relata a situação desesperadora de sua cidade, com UTIs lotadas e ameaça de falta de vagas e de oxigênio. Ao final do vídeo, ele faz um chamamento para respeitarmos o isolamento social, por amor ao próximo, às pessoas que estão morrendo e por respeito aos profissionais de saúde que estão esgotados. É impossível não se emocionar com a sua lucidez. Em sua mão, ele tem amarrado sempre um terço, o que pode indicar que ele seja um cristão católico.

8. Covid-19: OMS alerta que cerca de 87% das doses de vacinas foram obtidas por países ricos – Público, Portugal (Notícia).

Os dados e citações do diretor geral da OMS foram retirados desta reportagem.

9. Covid-19: novo mapa global deve ter Brasil em ‘zona vermelha’ – BBC News Brasil (Notícia).

O governo federal brasileiro recusou várias ofertas de compras de vacinas. Neste vídeo, discute-se como a vacinação desigual dos países pode gerar uma classificação de risco das nações, com áreas consideradas “vermelhas”, pouco vacinadas, como o nosso país. Estas zonas podem vir a sofrer isolamentos e sanções de todos os tipos, como a restrição de voos que já está acontecendo, impactando ainda mais a economia. Ao final do vídeo, é comentada a declaração do diretor geral da OMS mencionada no texto, sobre a catástrofe moral de vacinarmos jovens em países ricos, enquanto em outros países nem idosos foram vacinados.

10. Coronavírus: EUA são acusados de ‘pirataria’ e ‘desvio’ de equipamentos que iriam para Alemanha, França e Brasil – BBC News Brasil (Notícia).

Este artigo mostra um dos casos que envolveram sequestro de máscaras e equipamentos nos aeroportos. No exemplo aqui, o sequestro foi perpetrado pelos Estados Unidos, nação que se declara majoritariamente cristã.

11. Presidente Bolsonaro é criticado por políticos e jornais internacionais, de esquerda e de direita, por suas falas atrasadas e estarrecedoras, antes e durante a pandemia.

Este vídeo inacreditável mostra falas do presidente Bolsonaro durante a pandemia em contraste com os números de mortes diárias no mesmo período. O presidente critica as vacinas e o uso de máscaras, propaga fake news sobre isolamento social e medicamentos ineficazes (que podem gerar graves efeitos colaterais), incentiva e participa de aglomerações, imita jocosamente pessoas com falta de ar, parabeniza quem não se mostrou “frouxo na hora da angústia, como diz aqui a passagem bíblica”.

Os  principais veículos de notícias do mundo, seja de esquerda, seja de direita, condenaram duramente a atitude do nosso presidente em relação a diversos assuntos, como pandemia, meio ambiente, direitos humanos e questões indigenistas.

A crítica internacional às falas de Bolsonaro é anterior à pandemia. Até a candidata à presidência da França, considerada de extrema direita, criticou Bolsonaro ao dizer: “Mas ele certamente fez declarações que são extremamente desagradáveis, que não são de forma alguma transferível para o nosso país, é uma cultura diferente”. Por “cultura diferente” ficou claro se tratar de um eufemismo para “pensamento atrasado”.

Por fim, uma importante pesquisa revelou que Bolsonaro executou uma “estratégia institucional de propagação do coronavírus”. A análise de mais de três mil normas federais revela estratégias deliberadas para promover o espalhamento do vírus, diz relatório produzido pela Faculdade de Saúde Pública da USP e pela Conectas Direitos Humanos, uma das mais respeitadas organizações de justiça da América Latina. É chocante constatar a institucionalização de práticas de disseminação de notícias falsas e da implementação de medidas tomadas para impedir que os trabalhadores pudessem se proteger da Covid-19 e fazer isolamento. A estratégia da “imunidade de rebanho” é uma estratégia imoral se alcançada sem ser via vacinas, pois implica na morte desnecessária de milhões de pessoas. Em uma live esclarecedora com o divulgador científico Átila Iamarino, Deisy Ventura, Doutora em Direito e Professora Titular da Faculdade de Saúde Pública da USP, fala sobre detalhes desta pesquisa.

Agradecimentos: Alberto Nogueira Veiga e Paulo Rocha, pelos preciosos comentários e sugestões.

Imagens: Raio (Frank Cone, Pexels), Mar (Pok Rie, Pexels), Castelo (Colettevanderwal, Pixabay), Porta (Ialesh Aldarwish (Pexels).

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